segunda-feira, 22 de julho de 2013

Per un pugno di samba

Eu, que vou vivendo sem ser muito de querer, sem ser muito de ganhar, queria ganhar a vida dizendo o quanto você é linda.

Se fosse artista pintaria uma tela, uma obra prima daquelas tapa na alma, à frente de nosso tempo. De nosso tempo que ficou pra trás e que tento trazer de volta em cada tom da aquarela cotidiana das ruas.  Uma tela cúmplice dessas admirações súbitas que sinto ao te olhar, que me prende o juízo e escassa o ar dos meus pulmões. Uma tela que ficasse pendurada lá no Louvre ou na casa da minha vó Lourdes retratando meus sentidos exagerados de moço. Ou se eu pintasse igrejas! Igrejas todas só para te consagrar. Daí então os anjinhos ao pé da cruz teriam sua doçura e as santas seriam concebidas mais cheias de graça porque olhariam com a sede de seu brilho. Explicaria o sagrado: haveria lucidez na beleza. Valei-me Deus!

Se fosse um químico, inventaria uma droga bem forte e alucinógena que desse o seu barato. Intravenosa, indolor e viciante. Daquelas que dilatam os olhos da alma. Minha refinaria seria você. Você onde meu coração é doce e meus sonhos são verdes. Quanto agito, meu Deus! Quanta experiência nova você me traz! Me vê mais uma dose? Eu bolaria um plano infalível de tráfico internacional. Bem interno pra externo mesmo, algo que pudesse te transportar daqui de dentro lá pra fora, sem falhas. Sem te ter e sem te perder. Sem crimes, sem vícios, sem prisões.

Se passasse num concurso público, fosse parente de algum político, arranjasse uma bocada das boas, seria um burocrático com prazer. Trabalharia de segunda a sexta, de nove às cinco, só na marotagem. Ia mandar fazer um carimbo bem grande que dissesse o quanto você é linda. Um carimbo só não, um monte! De um monte de cor diferente, sempre tentando dizer de um monte de maneiras o quanto você é linda, carimbando toda a papelada da cidade. Toda cobrança, todo recibo, todo mandato de prisão, todo cartão de natal de vereador, tudo, tudo. Tudo com um carimbo bem grande oficializando sua lindeza pro mundo todo ficar sabendo.

Se você, princesinha, fosse uma rainha, eu seria seu bobo da corte. Um bem bobo, não desses de fazer piadas, dar cambalhotas e Deus me livre ter que me vestir de palhaço! Um bobo atônito, com olhar perdidinho de contemplação, em perceptível estado de graça. Igual eu fiquei quando te conheci, lembra? Um bobo ali sempre pronto em qualquer lugar de seu reino, sempre pronto pra te bendizer a qualquer hora. Pronto pra dizer pra você o quanto você é linda. Pronto pra dizer em seus momentos reais de alegria, tédio, paixão, desilusão ou de humanidade qualquer. Discursaria para todos os súditos do mundo, ou se quisesse, apenas para você, regente de seu reino intimista. Você é linda! Você é linda! –Diria seu bobo particular, sem bobeiras de primeira viagem. Que doidera, né?

Mas se eu fosse um doido, doido mesmo, desses que todo bairro tem, gritaria seu nome dia e noite pra acordar todo mundo. Pra todo mundo ficar de acordo comigo, com a mensagem que levaria aos quatro ventos da poesia tacando pedras em aviões. Tomaria banho no chafariz da praça proclamando que vi a luz. É, é, eu vi a luz! A luz do discernimento, não a luz desses postes que andaria chutando de madrugada tentando apagar. Gritaria que vi a verdade e seguiria mais tranquilo na vida, com as certezas mais comuns dos homens comuns, a certeza de não saber até onde vamos, mas que temos por onde começar.

Se fosse um escritor... ah se fosse um escritor! Um daqueles bem grandes, com sobrenome e tudo. Te transformaria em versos, numa musa daquelas viajantes das páginas que atravessam séculos e séculos. Te batizaria Laura, Beatriz ou qualquer nome em italiano clássico. Mas a verdade é que prefiro o seu nome. Deixamos os cânones pra lá. Deixamos as concepções antigas pra lá. Seremos nosso próprio movimento. Não quero que me entendam em italiano. Quero me sintam nessa língua universal, nessa língua sem palavras que todos carregamos conosco.

Sentiu?


Ah, lindinha. Se eu fosse escritor juro que perderia essa noite de hoje só imaginando a métrica desse seu sorriso que me dá a certeza de que posso ser o que eu quiser.

sábado, 11 de maio de 2013

Divinóia Desvairada


ali na esquina
à luz do sol
que
       assa
            crânios
            crânios?
       
na esquina?

capricha no pó
me vê um de 10
hoje quero muito, muito
acho que me viciei
culpa desses meus amigos loucos, loucos

capricha no leite ninho, moça
capricha no leite moça, moça
pode um pouco de banana também
com granola paga mais?

sábado, 27 de abril de 2013

O que tenho


        Ele não vai conseguir pegar aquela menina, não vai. Não ele, todo desse jeito dele. Olha lá, diz que fez intercâmbio pra Áustria, Austrália, sei lá pra onde. Já deve tá falando isso com ela. Conhecimento ele tem mesmo. Não vou negar. Fez curso de inglês um tempão quando moleque e judô e natação. Pra mim era só jogar bola, mas nem ligo porque jogar bola era melhor mesmo e a menina não parece ser destas que curte essas coisas de conhecimento e não vai se impressionar. Devia ser eu lá falando com ela, porque sou muito mais simpático e esse cara nem sabe de simpatia. É que ele tem esses dentes brancos e certinhos, olha só, tô vendo até daqui. Os meus dentes são meio amarelados assim e quebrados por conta do café da minha avó que é bom demais e eu tomava bastante, e comia uns biscoitos de polvilho que às vezes ficavam duros depois de um dia pro outro e quebrava, entortava os dentes. Devia ser eu falando com a menina, falando dessas coisas todas da minha vida e ela rindo, passando a mão nos cabelos, olhando pra mim com aqueles olhos cor de verde, sendo cheirosa e eu cheirando sentindo seu cheiro querendo cheirar mais e de mais perto. Eu vou lá, falar com ela, quem sabe um cheiro, eu vou lá, sou simpático e quem sabe. Mas peraí, olha ele lá agarrando ela, pegando beijando apertando indo pro canto e hoje tem.

        Na rua ali aquele outro cara lá falando de gírias com aquele outro. Falso demais. Falso que nem eu falando meu português corretamente. Saber eu sei, mas fica falso. Sabe, não pega bem em mim. Mas saber eu sei, sei dos verbos e todas dessas coisas de ler. Estudei numas escolas péssimas, mas corri atrás, fui à luta, sou batalhador, guerreiro, pardo, devia dar palestras nas escolas ruins, dar exemplos, devia aparecer na tevê, fazer umas propagandas do Governo Federal. Sei de saber português e sei de saber das gírias, conheço os chegados. Não mexem comigo. Quer dizer, teve aquela vez do Fabinho que mexeu comigo, mas não ficou muito bom pra ele, pegou mal, mexer comigo que sou de lá. E daí?, importa é que nunca me assaltaram no meu bairro, tá ligado? E o outro cara ali falando de gírias bem que pode ser assaltado porque acha que tá passando de marginal. Deve tá querendo maconha, comprar a maconha, enrolar a maconha, fumar a maconha. Maconha eu até já fumei eu sei, não precisa me olhar com essa cara, eu explico: eu tinha que saber como era e o Michael me ofereceu e eu sou simpático, o Michael é meu amigo há muito tempo de jogar bola na rua, e ele enrolou e a gente fumou, eu sou simpático não podia fazer desfeita com o Michael. Acontece que no bairro dizem que o Toninho começou assim e olha lá como ele tá, todo fodido na merda, e o cara lá das gírias e da maconha pode pagar clínica de reabilitação e virar crente, eu só posso virar Toninho e não quero virar Toninho não.

        Simpatia, é isso que tenho. Esse povo não tem. No serviço lá, aquele dia, aquele engomadinho que chegou lá, lembra? Roupa social, camisa de gola eu até tenho, mas nem uso pra trabalhar buscar trabalho porque não preciso, tenho simpatia, sei que tenho. Chegou dando conta de economia, que mexeu com contabilidade, eu nem direito o que é isso, mas tem um monte de gente que tem isso de contabilidade. Acontece que o pai do menino tem empresa, tem sobrenome, aí ficou mais fácil pro menino porque o pai dele tem a empresa com o sobrenome dele, onde o menino trabalhou de contabilidade. E eu nem sei onde meu pai trabalha, onde mora, meu pai não sabe onde eu trabalho, onde eu moro, e que onde eu moro o dono da casa já disse que vai aumentar o aluguel e eu vi que vou ter que mudar porque com o que tenho de salário do trabalho não vai dar. Se eu ganhasse o salário do menino da gola de sobrenome do polo pai social engomadinho contabilidade roupa, até teria dinheiro, porque o patrão acabou contratando ele e agora ele trabalha lá, tem dinheiro do salário além do dinheiro do pai. Mas ele não vai durar muito tempo lá não que eu sei, aí eu teria os dinheiros dele, mas não teria  muito tempo de serviço, porque ele nem conversa com o porteiro lá do trabalho, nem com o faxineiro e com a moça da cozinha. Aí eu sempre converso porque sou simpático e sei de conversar as coisas deles, e o patrão deve gostar muito muito de mim por isso e não vai me mandar embora tão cedo, mas bem que podia aumentar meu salário, ein patrão, porque o aluguel vai aumentar e meu pai tem sobrenome em português mesmo, só que não posso provar porque não tenho na certidão, mas ele mesmo fala que é meu pai e me deu uma bicicleta quando fiz dez anos.  Dá o aumento aí, dá, patrão. Considera a simpatia.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Prefiro café


Minha ex-dentista (e dá até um certo orgulho chamá-la assim de minha ex) era bonita demais para despertar confiança em alguém. Loira, gostosa, cabelos sempre ao vento do ar condicionado do consultório. Na flor da idade e com seu sobrenome italiano, daria pra ela a média de uns 26 aninhos muito bem vividos na gema da Zona Sul e um diploma de Odontologia conseguido após muito e$forço na faculdade particular mais cara da cidade. Sempre com jeans justo como o inferno cristão, tênis branco das melhores marcas, e debaixo do jaleco nunca lhe faltava uma blusinha levinha e casual que não chamasse atenção. A atenção ficava mesmo por conta de seus peitos.

Ah, aqueles peitos. Certamente a forma mais eficaz de anestesia já inventada. Eu lá sempre inclinado naquela cadeira desconfortável, com uma luz enceguecedora direto nos olhos sempre sonolentos e com a boca aberta. A boca aberta, as babas caindo, uma mangueirinha sugando tudo que encontrasse por dentro, até mesmo o oxigênio necessário para manter os pulmões de um pobre asmático funcionando razoavelmente. Aqueles peitos sempre pulando em direção à boca aberta. Peitos estes, que como a sua dona, eram bonitos demais para despertar a confiança de alguém. Sempre querendo escapar, pular pra fora da blusa, arrebentar os botões do jaleco e partir do plano das ideias para o glorioso mundo das realizações.

Das nossas conversas, feitas através de onomatopeias e sons monossilábicos possíveis de se pronunciar com a maldita mangueirinha sugadora, lembro-me de pouca coisa produtiva. O que marcou mesmo foi a blasfêmia soltada por aquela pecadora. Lembrei-me na hora das bruxas sedutoras travestidas de fadas, prontas pra dar o bote nos nobres cavaleiros solteiros. Lembrei-me das bruxas queimadas em praça pública na Idade Média, e por um instante, pareceu-me um castigo brando demais.

Foi assustador. Em português bem claro, com seus lábios deliciosos com batom bem claro, ela amaldiçoou-me:

-Seus dentes vão amarelar. Tem que parar de tomar Coca-Cola e café.

Vá de retro, Satanás!  Exorcizo-te in nomine Dei! The Power of Christ compels you!

Quisera eu ter também uma mangueirinha sugadora de pecados, para limpar a boca desse povo que não sabe o que fala. Quisera eu ter uma bíblia, uma água benta com ou sem flúor, falar cinco línguas indo-europeias mortas. Quisera eu ter defesa contra peitos. Quisera eu ter pálpebras nos ouvidos para blindá-los de escutar tanta merda.

-Prefiro ficar sem dentes a ficar sem café. Pra mim já deu. Foi bom te conhecer. Tome aqui seus cento e poucos reais. Gaste-os pagando uma das oito prestações de um sapato de grife seu. Calce esse sapato que vai empinar ainda mais sua bunda. Pegue essa sua bunda e conquiste algum empresário numa sexta-feira na boate top da cidade enquanto escuta sertanejo. E que esse empresário pegue esses seus peitos e...

Apertei os peitos dela bem forte. Ela gritou, chamou socorro, me chamou de louco. Dei-lhe razão. Não consigo me defender de quem me chama de louco. Saí, fui direto pra padaria e pedi um expresso para aproveitar os dentes que me restavam.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Vermelho como o céu


Na minha antiga rua da minha antiga cidade até que passavam alguns carros, porque era praticamente caminho pro Centro. Ainda mais naquela vez quando arrebentaram uns canos e uns esgotos na rua de cima, aí os carros todos passavam de lá pra cá, desviando a rota cotidiana, indo e vindo tudo apertadinho no meio das terras, e eu ficava me sentindo morador de cidade grande no meio daquele montão de carros.

Ficava imaginando eu morando num apartamento, desses de cidade, que eu pegaria elevador pra descer e ir à padaria às cinco da tarde e no meio disso tudo cumprimentar o porteiro falando de futebol. Ficava também entre o alívio e a dó, sabendo que já passei na idade de jogar bola na rua, mas sentindo pena dos meninos que perderiam essas coisas fundamentais.

Já nas ruas lá de baixo, nunca passava carro nenhum. Nem carro, nem menino jogando bola; mal mal passava o leiteiro. E é de uma rua de lá que eu lembro duma história. Foi o caso do Seu Nelson, coitado. Foi num dia de semana mesmo, só não lembro o qual. Mas o fato é que o Seu Nelson tava lá, sentadinho na porta de casa proseando com um vizinho, falando sobre o que falava há tempos: o quanto os tempos estavam mudados. E nisso aí, conversa vai, conversa vem, carro não vai, carro não vem, veio no Seu Nelson uma vontade de chamar o compadre, que morava doutro lado da rua pra prosear também.

Vruuuuuum!!!, Bbââââââââ!!!, Qrrrrrrrrr!!!

Segundo Seu Nelson, um estrondo parecido com desses filmes americanos que falam inglês. Achou que ia morrer igual ator alto de olho azul. Mas com efeitos especiais da vida real, se safou por um triz, por descapricho do azar, por milagre de Nossa Senhora.

Mas foi mesmo um baita dum barulhão, carro vermelho em alta velocidade, buzina cortante carregada por metros e metros, e uma freada brusca lá na frente só pra não poder falar que o motorista não parou.

A rua inteira ouviu e todo mundo saiu de casa preocupado: ou era o apocalipse ou era gente da cidade passando por ali, embora a maioria não enxergasse muito a diferença das duas situações. O vizinho que conversava, se acovardou, virou a cara, endureceu o corpo, fechou os olhos, tapou o ouvido, engoliu seco, rezou pro santo.

Dona Jandira, esposa do Seu Nelson, saiu com pressa mesmo sem saber o que tinha acontecido. E viu o pior: Seu Nelson, branco feito leite, enrugado como maracujá e caído ali no chão que nem uma jaca espatifada. Dona Jandira ali parada com a vasilha do angu nos braços e o Seu Nelson lá, parado, escondido na poeira da rua que ele mesmo levantara.

Foi grito pra tudo que é lado. Grito, choro, xingamento, reza, palavrão, angu. O motorista, que havia parado pra ver o que aconteceu, achou melhor sair correndo, dessa vez ainda mais rápido do que quando atropelou o Seu Nelson.

Quase que a rua inteira, sem saber o que fazer, só sabia culpar, injustamente, a Dona Arminda, que tinha uns parentes “ricos” de São Paulo que costumavam ir visitá-la de carro. Dona Arminda, em choque com o Seu Nelson esticado e com a rua acusando o povo dela, se defendia: -Não foi ninguém meu não, gente, como cês podem pensar uma coisa dessas? Nunca vi carro vermelho na vida!

Enquanto isso, o pragmático, Armindo, foi socorrer Seu Nelson. Perguntou umas coisas que o velho não conseguiu responder, mais pelo susto do que por qualquer arranhão. Armindo, o pragmático, pegou Seu Nelson nos braços e levou pra casa em frente, a do compadre. Deitou o velho lá na cama de casal, onde ficou quase o dia inteiro.

A casa do compadre havia virado uma mistura de velório e maternidade. Gente feliz pelo Seu Nelson não ter morrido, gente preocupada achando que ela ainda podia morrer. Dona Jandira ficou lá na cadeira ao lado da cama chorando sem parar. Em volta da imagem da santa, formava-se uma roda de velhas a rezar fazendo ligação direta pros céus com terços nas mãos.

A comadre na cozinha, fazendo biscoito de polvilho e café pras visitas que chegavam pra ver o acidentado. Os homens no corredor, falavam sobre o que viram, sobre os barulhos que ouviram e sobre como matariam o motorista se ele voltasse lá na rua. Armindo, pragmaticamente, fazia perguntas pro Seu Nelson regularmente, pra ver se ele sentia isso, se sentia aquilo. Seu Nelson falava que doía mais de susto do que de dor mesmo.

Como Armindo havia alertado, um dia depois Seu Nelson já estava firme como o governo do Getúlio. Tudo resolvido. Hora das velhinhas começarem a pagar as promessas e da Dona Jandira receber as visitas com a receita de biscoito de polvilho da comadre. Hora dos homens escutarem como Seu Nelson se livrou do carro feito agente secreto. Como o vizinho medroso havia fechado os olhos na hora da cena, não havia sobrado testemunhas. Seu Nelson sentia-se aliviado, livre para contar qualquer versão do acontecimento.

Seu Nelson morreu uns dois anos depois, por causa de uma pneumonia. Passou esses uns dois anos contando a história do carro que o atropelou, de como ele viu a cara da morte, etc. Num ponto foi até bom, porque semana passada vi uma história que eu não aguentaria esconder dele.

Tava eu na cidade, no alto do prédio que moro, observando os carros das seis da tarde. E num buzino seco, cortando que nem cachaça, veio um carro desses vermelhos mais novos, e plaft. Atropelou alguém, que nem deu pra ver se era velho igual Seu Nelson ou se era novo como eu. E o velho, ou o novo, morreu. Morreu de verdade. Ficou lá esticado até os bombeiros irem buscar. Ficou lá atrapalhando o trânsito. Todo mundo reclamou que ele ficou lá atrapalhando o trânsito. 

domingo, 2 de setembro de 2012

fluxo

este poema
coloco numa garrafa
e lanço ao mar
na esperança de
um dia
você ler
se não alguém
um dia
ao ler
mesmo sem nos conhecer
vai saber
que ainda gosto de você

sábado, 1 de setembro de 2012

Haicais

Semente
planto uma ideia
haicai é bonsai
de poesia

Fuso-Horário
me oriente
já é poesia 
no ocidente?

Haicais
ando cheio de glória
por caberem
em minha memória

Eurocêntrico
abaixo do trópico
Deus é
misantropo

O segredo
se eu cair 
em mim
rio do tombo

Modéstia
é melhor
me ler,
millôr

Leminski de Poemas
ali se
tem
alicerce

Feliz
até 
um haicai ruim
me lembra Ruiz